Inteligência Emocional: os Principais Estudos Sobre o Assunto

A inteligência emocional no trabalho é fundamental! Pois, em diversas situações na vida profissional a nossa emoção tende a falar mais alto que a razão, causando consequências negativas e, talvez, irreversíveis para a nossa carreira.
Por isso, as habilidades técnicas, também chamadas de Hard Skills, aquelas que aprendemos na faculdade e outros cursos, não são suficiente para determinar o nosso sucesso profissional.
No mundo complexo e de mudanças rápidas, na qual somos constantemente pressionados por resultados, as habilidades comportamentais, Soft Skills, são determinantes para lidar com os desafios do século XXI, que não são poucos.
Assim, a inteligência emocional, que é uma das habilidades comportamentais mais requisitadas atualmente, é o segredo para superar esses desafios e aprender a governar o nosso comportamento de maneira mais racional.
Mas, é importante entendermos porque se fala tanto sobre essa habilidade e porque ela é tão poderosa para a nossa carreira. Dessa forma, nós podemos tirar as nossas próprias conclusões e decidir se vale a pena desenvolvê-la, você concorda?
Então, a seguir começarei pelo começo, como surgiu esse termo, quais foram os primeiros estudos e quem foi o responsável por difundir a inteligência emocional como a conhecemos hoje.
Os Primórdios da Inteligência Emocional

A inteligência emocional foi explorada por diversos estudiosos da biologia, psicologia, neurociência e dentre outras. Mas, o primeiro estudioso a se referir ao termo “EMOCIONAL“ foi Charles Darwin!
O intuito de Darwin quando falou sobre o aspecto emocional humano, era para realçar a importância da nossa emoção para a sobrevivência e adaptação.
Como resultado, Darwin abriu portas para que outros pesquisadores chegassem à conclusão sobre a influência do aspecto não-cognitivo para a inteligência. O que chamamos de não-cognitivo, é tudo aquilo que não demanda uma bagagem de conhecimento para ser executada, são processos que funcionam independente da nossa consciência sobre eles.
Obviamente, a conclusão que esses estudiosos chegaram sobre a influência do aspecto não-cognitivo para a inteligência causou impacto, levando a queda de algumas crenças e entendimentos equivocados que até então eram tidos como verdade.
Por exemplo, as definições tradicionais sobre inteligência até certa época apontavam os aspectos cognitivos como determinantes para o sucesso de um indivíduo. Isto é, o lado racional e lógico do cérebro, segundo esse entendimento, determinava se alguém iria ter sucesso ou não ao longo de sua vida.
Então, o Quociente de Inteligência (QI), que mede a inteligência racional, era a principal régua para medir o sucesso das pessoas naquela época. Portanto, quanto mais alto o QI, mais chances de ser bem-sucedido na carreira e na vida!
Certamente, tal entendimento parecia certo a época, mas hoje soa absurdo e injusto, pois coloca uma expectativa altíssima em cima dessas pessoas, já que todos esperam grandes feitos delas. E, os fatos mostram que quando isso não acontece elas se sentem frustradas, derrotadas e incompetentes por não atingir o que todos esperam delas.
Felizmente, essa ideia começou a ser contestada em 1940, por David Wechsler. Ele deduziu que a inteligência não dependia somente dos fatores intelectuais (cognitivos), e protestou dizendo que os estudos sobre a inteligência não estariam completos até que os fatores não-intelectuais (não-cognitivos) fossem estudados.
As Duas Inteligências: Emocional e Racional
O QI é um fator genético, então a pessoa nasce com um certo grau de inteligência cognitiva, que pode aumentar com o tempo. Entretanto, se dependêssemos apenas do (QI) para ter sucesso acredito que algumas pessoas estariam fadadas ao fracasso, pois como alguém com QI baixo poderia se sobressair na vida, já que apenas os indivíduos de QI alto tem tal competência?
Acredito que o QI é, sim, muito importante, porém a inteligência racional sozinha não é capaz de tornar um indivíduo hábil em relações humanas, em motivar-se e desenvolver autocontrole para lidar com as emoções. Há muito se sabe que o nosso cérebro se divide em duas partes: hemisfério cerebral esquerdo e hemisfério cerebral direito.
- Hemisfério esquerdo: é analítico, ligado ao raciocínio lógico e à resolução de problemas.
- Hemisfério direito: é mais sensorial, emocional, artístico e intuitivo.
Logo, nós temos dois tipos de inteligência, a emocional e a racional! A inteligência emocional é aprendida ao longo da vida, por meio dos nossos hábitos, das situações, de determinados conhecimentos, das nossas relações, das nossas experiências, etc.
Assim, mesmo que alguém tenha um QI baixo, é possível que esta pessoa seja bem-sucedida na vida, talvez, até mais do que alguém com QI alto, se tiverem uma inteligência emocional bem desenvolvida.
Vamos entender mais a respeito sobre essa inteligência, acompanhe a leitura.
A Cronrologia dos Estudos Sobre Inteligência Emocional e os Autores mais Importantes
A inteligência emocional reúne uma série de características que nos beneficia em diferentes contextos da vida. Robert Lee Thorndike em 1920 falou sobre Inteligência Social para descrever a capacidade de motivar e compreender os outros. Assim, mais tarde esse termo virou um dos traços da inteligência emocional!
Em 1983 Howard Gardner trabalhou a teoria das inteligências múltiplas, com isto ele introduziu o conceito de inteligência intrapessoal: capacidade de se conhecer, identificar e gerir as próprias emoções. E interpessoal: capacidade de se relacionar com outras pessoas, compreendendo as suas emoções, desejos e intenções. Ambas ligadas a inteligência emocional!
Entretanto, o uso do termo “inteligência emocional” foi atribuído a Wayne Payne em 1985. Embora o mesmo termo tenha aparecido nos textos de Hanskare Leuner em 1966.
Outro estudioso Stanley Greenspan, também apresentou os seus estudos sobre inteligência emocional em 1989, seguido por Peter Salovey e John D. Mayer. Mas foi Daniel Goleman em 1995 que difundiu o tema e se tornou referência no assunto!
Goleman criou o QE Quociente Emocional que mede o grau de inteligência emocional e explicou claramente a diferença entre QI e QE, e seus aspectos mais importantes.
Contudo, vale ressaltar que a base dos estudos de Goleman foram baseados nos conceitos desenvolvidos anteriormente por Salovey e Mayer. Por isso, precisamos entender o entendimento da dupla para termos uma visão mais ampla sobre o assunto, do que apenas aquela oferecida no livro de Daniel Goleman.
Definição Sobre o que é Inteligência Emocional por Salovey e Mayer

A princípio Mayer e Salovey definiram a inteligência emocional como sendo: “A capacidade de perceber e exprimir emoções, assimilar ao pensamento, compreender e raciocinar com elas e saber regulá-las.”
Assim, eles dividiram o conceito sobre emoção em quatro capacidades:
- Percepção das emoções: identificar os sentimentos por estímulos, como a voz e a expressão facial, por exemplo, tornando a pessoa capaz de perceber a variação ou a mudança do estado emocional do outro.
- Uso das emoções: usar as emoções para viabilizar o raciocínio e o pensamento.
- Entender emoções: captar as emoções nem sempre evidentes.
- Controle e transformação das emoções: lidar com os próprios sentimentos e emoções.
Você vai perceber, tanto na definição de Salovey e Mayer, quanto de Goleman, que emoção e razão andam juntos. Pois, só é possível perceber, compreender e regular as nossas emoções quando somos capazes de tomar distância delas e raciocinar sobre o que está acontecendo para tomar um decisão que diminua a sua intensidade.
Definição Sobre o que é Inteligência Emocional por Daniel Goleman

Daniel Goleman define a inteligência emocional como: “A capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os sentimentos dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e dos nossos relacionamentos.”
Os estudos de Goleman segue a mesma linha de raciocínio de Salovey e Mayer, porém refinando o que já havia sido estalecido por eles e incluindo as habilidades sociais como parte da inteligência emocional, que já havia sido mencionada em estudos anteriores de Salovey e Mayer.
Portanto, Goleman define a inteligência emocional em cinco capacidades:
- Autoconhecimento emocional: reconhecer suas próprias emoções e sentimentos.
- Controle emocional: lidar com os próprios sentimentos e emoções para adequá-los a cada situação.
- Automotivação: usar as emoções como trampolim para a realização de nossos objetivos.
- Reconhecimento das emoções dos outros: identificar os sentimentos e emoções dos outros e ter empatia por eles.
- Relacionamento interpessoal: interação com outras pessoas, valendo-se de competência sociais.
Segundo Goleman as três primeiras capacidades são intrapessoais, estando intimamente ligadas ao autoconhecimento. E as duas últimas são interpessoais, sendo importante para:
- Organização de grupos: essencial para a liderança, onde envolve coordenação dos esforços para um objetivo comum, obtenção do reconhecimento como líder e a cooperação espontânea dos outros.
- Negociações de soluções: para a prevenção e resolução de conflitos.
- Empatia: identificar e compreender o sentimento dos outros e agir para direcioná-lo ao interesse comum.
- Sensibilidade social: saber o motivo pelo qual as pessoas agem, e identificar os seus sentimentos e emoções.
Todos os conceitos e as principais capacidades para se ter uma boa inteligência emocional você pode encontrar no livro de Daniel Goleman, onde ele explica como a emoção desempenha seu papel e como podemos usá-la ao nosso favor.
Em resumo, os estudos nos mostram que a inteligência emocional, diferente do QI é, sim, vital para o sucesso social, financeiro, profissional e pessoal. Uma vez que, mesmo alguém com QI baixo, pode, sim, ser hábil em relações humanas, ter muito mais resiliência e controle emocional do que um superdotado.
E desenvolver esse tipo de inteligência depende apenas da gente! Existem diversos hábitos, circunstâncias e outras oportunidades para melhorarmos nossa inteligência emocional, basta que nos dediquemos um pouco todos os dias. Começando por mapear quais das cinco capacidades citadas devem receber maior atenção e quais serão os passos a seguir para desenvolvê-las.
Ficou com alguma dúvida? Deixe nos comentários, terei o prazer de responder!
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